Herói do Pan, mineiro de Uberaba está a uma vitória do US Open

Herói do Pan, mineiro de Uberaba está a uma vitória do US Open

O Tênis mineiro pode voltar a ter três representantes no US Open. Além de Marcelo Melo, parceiro o polonês Lucasz Kubot, e de Bruno Soares, que faz nova parceria, com o sérvio Mate Pavic, João Menezes, de Uberaba, medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos Lima’2019, que valeu também a classificação para os Jogos Olímpicos Tóquio’2020, disputa o Qualifying do último Grand Slam da temporada. Ele já venceu duas partidas e está a uma vitória da chave principal.

João é a grande surpresa do tênis em 2019. Por não ter sido um tenista de ponta, no juvenil, teve uma trajetória discreta. “Bastante coisa mudou em termos de atenção de mídia, patrocinadores e oportunidades. Dei muita entrevista para rádio e televisão”, disse, surpreso com a repercussão de seu título.

Ele espera uma mudança radical na carreira, a partir de agora, “Espero que essa conquista tenha chamado a atenção dos empresários. Espero anunciar apoio à minha carreira em breve.”

Para ele, o ano de 2019 é um divisor de águas, que muda minha carreira. “Com certeza, esta é a melhor temporada da minha carreira. Evoluí muito neste ano, comecei a sacar melhor e, principalmente, o meu físico melhorou demais. E também comecei a ter mais confiança nos meus golpes. Acho que é uma soma de fatores.”

Antes da conquista no Peru, João conquistou seu primeiro título de Challenger, em Samarkand, no Uzbequistão, em maio. Isso fez com que subisse no ranking mundial. Em janeiro, era o 398º do mundo. Agora, depois do Pan, ele é o 210, sua melhor colocação até hoje. Nos últimos meses, chegou a ser o número dois do Brasil.

Mas ele esteve por desistir da carreira, em 2017, quando sofreu com uma série de lesões que lhe custaram três cirurgias no joelho esquerdo. Chegou a anunciar para seus pais que estava abandonando a carreira. Mas um anjo surgiu em sua vida, Rafael Kuerten, irmão de Guga Kuerten.

“Falei para o meu pai que iria largar o tênis. Ele tinha amizade com o Rafael e pediu ajuda, sem que eu soubesse. E eles organizaram, sem que eu soubesse, um período de teste de uma semana em Barcelona. O Rafa fez essa ponte”, conta.

A partir daí, João passou 20 meses treinando na academia 4Slam, liderada pelo espanhol Galo Blanco, que já treinou tenistas como Milos Raonic e Dominic Thiem, ambos vice-campeões de Grand Slam.

“Cheguei lá desacreditado. Mas treinei a semana inteira muito bem. Até ganhei um set do russo Andrey Rublev, jogando de igual para igual. Quando vi que estava jogando aquilo tudo, decidi que precisava ficar lá. E fiquei”, lembra.

Voltou para o Brasil no fim do ano porque a solidão pesou. “Muita gente se perguntou: O cara tá morando em Barcelona, com o melhor ranking da carreira, por que voltou?. Porque eu não estava feliz, estava me sentindo supertriste. Sabia que daquele jeito as coisas não iam caminhar. Eu estava totalmente esgotado.”

No retorno ao país, voltou treinar em Itajaí (SC), no Itamirim Clube de Campo, com o técnico Patrício Arnold, com quem já havia trabalhado antes. E não caiu de produção.

O brilho no Pan lhe garantiu a primeira convocação para representar o Brasil na Copa Davis, o que não surpreendeu o tenista. “Eu esperava estar na lista”, admitiu Menezes, com seu jeito simples e direto de ser. “Por tudo o que fiz nos últimos meses e, em especial, pela minha performance no Pan. E porque o Jaime Oncins estava bem próximo, era o treinador da equipe.”

BRASIL. A confirmar a classificação de João Menezes, além dos três mineiros – Marcelo e Bruno já estão confirmados – o Brasil poderá ter seis tenistas na competição, uma vez que Thiago Monteiro, Marcelo Demoliner e Bia Hadad, já estão garantidos na chave principal.

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